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Teses de Doutorado

Irley Fernandes Franco
O Caráter Antidoutrinário e Antidogmático da Filosofia de Platão,1993
Maura Iglésias
In this work I discuss the general assumption that (a) Plato’s Philosophy is a doctrine in as much as it is a complete system consisting of propositions that are claimed to be true and that are taken to render possible to give final answers to questions about reality, knowledge, as well as about political and moral life; and that (b) this doctrine, in addition, is grounded in (and organized according to) certain dogmas, i. e., certain fundamental and unassailable truths. It will be argued, rather, that there is more evidence for the opposite thesis; namely, that Plato’s thought have a speculative and inquiring character due to a lack of formal expositions, definitions, demonstrative arguments and conclusions in the Dialogues.

James Bastos Arêas
A Instauração Ontológica no Sofista de Platão,1999
Maura Iglésias
A instauração ontológica no Sofista de Platão se efetua partir da genealogia da sofística e da refutação da Tese do ser de Parmênides. A ontologia platônica resulta, com efeito, de uma decisão e de uma nova definição do ser. A decisão ontológica de Platão consiste na assimilação do princípio geral da unidade, o um (hen), e do princípio de determinação em geral, o algo (ti), ao ser e na utilização da categoria plurifuncional da alteridade. A nova ontologia concebe o ser como dynamis, isto é, como potência de ação e de afecção que estabelece as relações de participação e de comunicação mútua entre os gêneros do movimento, do repouso, do mesmo e do outro.

Edson Peixoto de Resende Filho
A Analogia Aristotélica Revisitada: Analogia ou Aporia do Ser,2000
Maura Iglésias
Durante muito tempo a tese da analogia do ser em Aristóteles adquiriu a força de verdade incontestável, sobre a qual não pairava nenhuma suspeita. A tese da existência explícita de uma doutrina da analogia do ser na Metafísica tornou-se uma idéia pronta capaz, em última instância, de legitimar as diversas sínteses sobre os momentos fundamentais da história da metafísica. Este trabalho nasceu da necessidade de nos livrarmos dessa idéia pronta, que do alto da sua autoridade nos faz reproduzir, imprimindo aqui e ali, muitas vezes sem nos darmos conta, a mesma lição dos velhos manuais de história da filosofia. Nasceu também da necessidade de conhecermos os pressupostos internos das interpretações e não apenas os textos de Aristóteles que lhe serviram de apoio: as razões pelas quais, muitas vezes, posições filosóficas as mais diversas foram conduzidas a admitir e a partilhar a tese da analogia do ser aristotélica. Ao abandonarmos o nível superficial da história das opiniões e o nível impregnante das idéias prontas, poderemos ter uma compreensão não apenas descritiva das posições assumidas neste debate, mas da rede implícita que o move, das forças efetivas de sua trajetória.

Jorge Augusto da Silva Santos
Ética e Felicidade (Eudaimonia) em Platão. Um Estudo sobre o Bem Humano Enquanto Expressão de Felicidade a Partir das Analogias entre Técnica, Bem e Virtude,2001
Maura Iglésias
Esta tese versa sobre a ética de Platão e tem em vista examinar o “bem humano” como expressão a partir das analogias entre?. Ao longo de diversos diálogos, examinados e discutidos nos capítulos deste trabalho em seus respectivos contextos, mostramos como Platão modificou a questão ética associada ao paradigma “técnico” para o “bem” ético definido a partir de categorias matemáticas, tais como “medida”, “proporção”, “mistura”. O objetivo da tese consiste em evidenciar este processo e esboçar como Platão filosofa a partir de problemas concretos quando reabilita os bens humanos, os quais, mesmo sendo mutáveis e instáveis, não deixam de ser componentes indispensáveis de uma boa vida.

Aldo Lopes Dinucci
Arquitetura de Viver: as Reflexões de Sócrates e de Górgias quanto à Excelência Moral, ao Bem Viver e à Felicidade,2002
Maura Iglésias
O objetivo de nossa pesquisa será explicitar os fundamentos das doutrinas morais de Górgias e de Sócrates de modo que possamos responder a seguinte questão: Sócrates de fato mostra alguma inconsistência na doutrina moral de Górgias ou, contrapondo ambas as doutrinas, apenas constatamos o abismo que separa, por um lado, os princípios da doutrina moral socrática que afirma uma justiça universal e, por outro, os princípios da doutrina moral gorgiana pela qual a existência humana é fundamentalmente trágica?

Maria Inês Senra Anachoreta
A Transposição Platônica da Noção Matemática de Dynamis e sua Importância no Último Pensamento de Platão, 2004. Tese de doutorado. Orientadora:,2004
Maura Iglésias
Esta tese defende que é através de uma experiência vital que, em Platão, se efetiva uma compreensão filosófica. Trata-se de sublinhar os aspectos pessoais e profundos da vivência filosófica para apresentar a idéia de que, em Platão, a filosofia é uma experiência que, mesmo sendo estritamente racional, perpassa a totalidade da alma humana. A tese estrutura-se em quatro capítulos. O primeiro e o segundo salientam o aspecto psicagógico da filosofia, analisando a relação de Platão com a poesia grega (cap. 1) e a retórica (cap.2). No primeiro capítulo afirma-se que, mesmo com todas as críticas que Platão apresenta contra a poesia, ele ainda reserva um aspecto essencial desta, a psicagogia (condução da alma), como parte constituinte da filosofia. O segundo capítulo defende que há um aspecto da retórica —também a psicagogia— que deve estar presente na filosofia para que esta inscreva o conhecimento na alma do aprendiz. O terceiro capítulo analisa as críticas de Platão à palavra escrita, presentes na Carta VII e no Fedro. Defende-se que a filosofia depende de um processo pessoal que não está garantido ao ser descrito por palavras: precisa, antes, ser vivido por uma experiência vital para tornar-se vivo naquele que sabe. Por fim, o quarto capítulo apresenta a noção de dialética na República como uma conversão. A noção de conversão corrobora esta tese, pois afirma que o processo racional filosófico pretende uma transformação pessoal e profunda do aprendiz de filosofia.

Alexandre Jordão Baptista
Matemática e Conhecimento na República de Platão,2006
Maura Iglésias
A influência da matemática na filosofia de Platão é algo historicamente estabelecido na literatura especializada e que pode ser constatado não apenas pelos inúmeros exemplos e noções extraídos do âmbito da matemática presentes nos Diálogos como também pelo fato de que a sua singular concepção dos dois mundos —o mundo das idéias e o mundo sensível— parece, do ponto de vista de sua intuição básica, se inspirar claramente no progresso abstrato alcançado pela matemática de sua época no que diz respeito à noção de entidades abstratas, fixas e autônomas servindo como paradigmas ou modelos das coisas particulares correspondentes. Para Platão, a matemática seria, entre todas as ciências, a que mais se aproximaria da dialética e também a melhor preparação ao seu estudo na medida em que seu objeto de investigação, assim como o da dialética, é o ser eterno subtraído à esfera do devir cuja apreensão se dá pela mesma intuição intelectual que as Idéias e cujo conhecimento tem a mesma origem —a reminiscência. Apesar disso, Platão, não reconhece, na República, a matemática como ciência (episteme) no sentido pleno do termo, classificando-a como intermediária entre a opinião e a dialética. Isso porque, segundo Platão, o método matemático não leva à apreensão do princípio não hipotético do conhecimento, além de se servir de imagens ou de figuras visíveis em suas investigações. Comparado ao dialético, o conhecimento matemático é descrito como um sonho por se fundar em princípios que os matemáticos não conseguem justificar. Nosso trabalho, portanto, se debruça sobre as passagens da República onde essa temática é discutida, em especial os Livros V, VI, VII e X, e oferece uma interpretação que tenta esclarecer em que sentido podemos entender o status intermediário da matemática assim como a definição de ciência ou de conhecimento com a qual Platão se apóia para estabelecê-lo.

Marcus Reis Pinheiro
Experiência Vital e Filosofia Platônica,2004
Maura Iglésias.
Esta tese defende que é através de uma experiência vital que, em Platão, se efetiva uma compreensão filosófica. Trata-se de sublinhar os aspectos pessoais e profundos da vivência filosófica para apresentar a idéia de que, em Platão, a filosofia é uma experiência que, mesmo sendo estritamente racional, perpassa a totalidade da alma humana. A tese estrutura-se em quatro capítulos. O primeiro e o segundo salientam o aspecto psicagógico da filosofia, analisando a relação de Platão com a poesia grega (cap. 1) e a retórica (cap.2). No primeiro capítulo afirma-se que, mesmo com todas as críticas que Platão apresenta contra a poesia, ele ainda reserva um aspecto essencial desta, a psicagogia (condução da alma), como parte constituinte da filosofia. O segundo capítulo defende que há um aspecto da retórica —também a psicagogia— que deve estar presente na filosofia para que esta inscreva o conhecimento na alma do aprendiz. O terceiro capítulo analisa as críticas de Platão à palavra escrita, presentes na Carta VII e no Fedro. Defende-se que a filosofia depende de um processo pessoal que não está garantido ao ser descrito por palavras: precisa, antes, ser vivido por uma experiência vital para tornar-se vivo naquele que sabe. Por fim, o quarto capítulo apresenta a noção de dialética na República como uma conversão. A noção de conversão corrobora esta tese, pois afirma que o processo racional filosófico pretende uma transformação pessoal e profunda do aprendiz de filosofia.

Ivan Miranda Frias
Medicina e Filosofia na Grécia Clássica e o Conceito de Melancolia: um Estudo da Relação Corpo-Alma sob o Ponto de Vista do Binômio Saúde-Doença,2002
Maura Iglésias
Este trabalho mostra como os gregos do período clássico concebiam a ligação entre o corpo e a alma, tanto no estado de saúde quanto no de doença; desde os filósofos-médicos Alcméon de Crotona e Empédocles de Agrigento, passando pelos médicos hipocráticos, até chegar a Platão que inaugura, na história da cultura ocidental, o conceito de doença da alma. Platão traça em linhas gerais os mecanismos de produção da doença da alma; ele aponta uma questão que escapava aos médicos hipocráticos; sua contribuição é de grande valia para a discussão do binômio saúde-doença; doravante, o estado de saúde não será visto unicamente como restrito ao corpo, mas implicando uma outra instância da existência humana. Hipócrates, Platão e Aristóteles, que faz o primeiro estudo sobre a melancolia, reconhecem a dependência de fatores de ordem somática na eclosão dos estados da alma considerados patológicos. A melancolia, uma afecção que atinge o conjunto corpo-alma, é um estado da alma originário de uma certa disposição do corpo.